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Perfil: Cid Corrêa

  • Foto do escritor: Gabriela Laudares
    Gabriela Laudares
  • 5 de jan.
  • 5 min de leitura

Eleito em 2024 com 1.444 votos pelo partido União Brasil (UNIÃO).

Vereador Cid Correa
Vereador Cid Corrêa

O mandato em curso marca sua terceira passagem pela Câmara Municipal, embora tenha registrado votação inferior às obtidas anteriormente: foram 1.721 votos em 2008 (PR) e 1.518 votos em 2020 (PSB). Em 2012, disputou o cargo de prefeito e obteve 10.262 votos (25,14%), ficando em segundo lugar. Já em 2016, foi eleito vice-prefeito (PSD) na chapa liderada por seu então colega de Legislativo, Eugênio Vilela. Durante o mandato no Executivo, optou por exercer a função de Secretário Municipal de Educação e Esportes, acumulando experiência administrativa fora do Parlamento.


Cid Corrêa é um vereador com trajetória já conhecida no cenário político de Formiga, o que o coloca na categoria de parlamentares que operam mais pela continuidade do que pela ruptura. Sua atuação se insere dentro de um perfil tradicional de política municipal, fortemente conectado ao cotidiano da cidade e às demandas práticas da população, especialmente aquelas que chegam diretamente ao gabinete.


Não se trata de um vereador de forte projeção ideológica ou de grandes formulações programáticas, como se observa por suas escolhas partidárias, mas de alguém cuja presença política se sustenta pela capilaridade local, pelo contato direto com eleitores e pela lógica do atendimento individualizado.


Perfil de atuação na Câmara Municipal (2025)


A atuação de Cid Corrêa tende a se concentrar em três eixos principais:


  1. Demandas pontuais da população: Há predominância de requerimentos, indicações e solicitações voltadas à resolução de problemas específicos — como infraestrutura urbana, serviços básicos e situações emergenciais de bairros ou comunidades.

  2. Postura institucional moderada: O vereador não se destaca por embates públicos frequentes ou por oposição sistemática ao Executivo. Sua postura indica preferência por uma relação institucional estável com a Prefeitura, o que pode facilitar encaminhamentos administrativos, mas também levanta questionamentos sobre o grau de fiscalização exercido.

  3. Baixa produção legislativa estruturante: Observa-se pouca incidência de projetos de lei com impacto estrutural ou de longo prazo. A atuação legislativa aparece mais reativa do que propositiva, respondendo a demandas já existentes em vez de antecipar problemas ou propor políticas públicas abrangentes.


Com base no Processo Legislativo da Câmara Municipal de Formiga, Cid Corrêa tem participação regular em pautas oficiais, requisições e requerimentos, destacando-se por propor pedidos de providências e indicações diretamente ligados às demandas de bairro e serviços públicos locais — sobretudo infraestrutura urbana, limpeza e manutenção, bem como solicitação de informações ao Executivo.


Pontos fortes:

  • Capacidade de articulação local;

  • Proximidade com eleitores e lideranças comunitárias;

  • Atuação prática em demandas cotidianas.


Limites:

  • Pouca clareza sobre um projeto político de cidade;

  • Baixa incidência de propostas estruturantes;

  • Fiscalização discreta do Executivo;

  • Atuação legislativa mais administrativa do que política.


Presença em leis ordinárias e complementares: o dado central


A análise das proposições revela que Cid Corrêa aparece poucas vezes como autor principal de leis ordinárias e de forma ainda mais restrita em leis complementares, sendo estas últimas, em regra, de natureza administrativa ou interna corporis.


Esse dado é central para compreender o perfil real do mandato:há baixa incidência de iniciativa legislativa material, isto é, leis que criam, reformulam ou estruturam políticas públicas municipais.


Natureza das leis em que atua


Leis Ordinárias: 12


Quando presente em leis ordinárias, a atuação do vereador se concentra em:


  • Reconhecimento de utilidade pública de entidades;

  • Normas pontuais de alcance limitado;

  • Matérias sem impacto direto sobre orçamento, estrutura administrativa ou políticas públicas permanentes.


Leis dessa natureza cumprem função institucional e simbólica relevante, mas não alteram o desenho das políticas públicas municipais nem enfrentam problemas estruturais da cidade. Não se observa inovação normativa, tampouco proposições que inaugurem programas, sistemas, planos ou diretrizes municipais.


Leis Complementares: 4


As leis complementares com participação do vereador estão vinculadas, majoritariamente, a:


  • Organização administrativa da Câmara;

  • Criação ou ajuste de cargos internos;

  • Adequações regimentais ou funcionais do Legislativo.


Trata-se de matéria interna, necessária ao funcionamento da Casa, mas que não dialoga diretamente com a vida cotidiana da população nem com políticas setoriais (saúde, educação, mobilidade, habitação, desenvolvimento econômico etc.). Aqui também não há inovação legislativa no sentido material, mas sim gestão institucional.


Linha de atuação: legislar ou “apagar incêndio”?


A partir do conjunto analisado, o perfil do vereador se aproxima mais de um mandato que:


  • Não estrutura políticas públicas via lei;

  • Não propõe marcos regulatórios novos;

  • Não lidera agendas legislativas temáticas de longo prazo;


e se aproxima mais de um mandato que:


  • Atua por indicações, requerimentos e emendas;

  • Responde a demandas imediatas;

  • Opera na lógica do atendimento pontual e corretivo.


Em termos objetivos, trata-se de um perfil mais associado à gestão de demandas do que à produção legislativa substantiva. Isso caracteriza o que, no jargão político, costuma ser chamado de “apagar incêndio”: responder a problemas já instalados, sem criar instrumentos legais capazes de preveni-los no futuro.


Grau de inovação legislativa


Inovação legislativa: baixa

Produção normativa estruturante: inexistente no recorte analisado

Atuação programática: ausente


Não foram identificadas leis de iniciativa do vereador que:


  • Criem políticas públicas novas;

  • Instituam programas municipais permanentes;

  • Organizem sistemas, planos ou diretrizes setoriais;

  • Alterem significativamente o funcionamento da administração pública para além da Câmara.


Leitura político-institucional


O perfil legislativo de Cid Corrêa, à luz das leis ordinárias e complementares, indica:


  • Um vereador com experiência administrativa, mas que não converte essa bagagem em formulação legislativa robusta;

  • Um mandato mais confortável na mediação política do que na produção normativa;

  • Uma atuação compatível com o modelo tradicional de vereador gestor de demandas locais, e não de formulador de políticas públicas.


Esse padrão indica uma atuação mais corretiva do que propositiva, voltada a interferir no conteúdo de projetos apresentados por outros atores (especialmente o Executivo), em vez de inaugurar agendas legislativas próprias.


A indicação (1) é um instrumento não vinculante, sem força normativa. Seu uso recorrente reforça um perfil de vereador intermediador de demandas locais, que atua como ponte entre população e Prefeitura, mas com baixa capacidade de gerar efeitos estruturais por meio da lei.


Enquanto as moções (13) cumprem função simbólica e institucional, reforçando vínculos sociais e capital político, mas não produzem efeitos administrativos ou jurídicos concretos. O uso frequente desse instrumento sinaliza uma atuação voltada à visibilidade pública e ao reconhecimento social. Um dado relevante do levantamento é a baixa incidência de projetos de lei de iniciativa própria com impacto direto em políticas públicas municipais.


Verifica-se, portanto, que a experiência acumulada no Executivo não se converteu, de forma consistente, em proposições legislativas estruturantes no Legislativo. Espera-se, de um agente com passagem por cargos estratégicos do Executivo, maior capacidade de formulação normativa, proposição de leis com impacto sistêmico, uso do mandato para reorganizar políticas públicas de médio e longo prazo etc. A classificação qualitativa das matérias mostra que isso ocorre de forma pontual, não como padrão.


Comunicação política e imagem pública


No campo da comunicação, Cid Corrêa mantém uma presença mais tradicional, com foco em divulgação de visitas, reuniões e atendimentos; ênfase em ações concretas e imediatas; linguagem simples, voltada ao eleitor comum (ponto positivo).


Esse modelo reforça a imagem de um vereador “próximo do povo”, mas limita sua projeção como formulador de políticas ou liderança política mais ampla dentro do município.


O que observar daqui para frente


Para além da rotina de gabinete, o mandato de Cid Corrêa levanta uma questão central para o eleitor de Formiga: qual é o papel que se espera de um vereador?


Se a expectativa for apenas a intermediação de demandas individuais, seu perfil atende a esse modelo. Porém, se o eleitor busca parlamentares que pensem a cidade de forma estratégica, com visão de médio e longo prazo, sua atuação ainda deixa lacunas importantes.

 

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