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Perfil: Jaci da Rua Nova

  • Foto do escritor: Gabriela Laudares
    Gabriela Laudares
  • 1 de fev.
  • 4 min de leitura

Eleito em 2024 com 1.136 votos pelo Partido Progressista (PP).


Jaci Honório de Paula chega à Câmara Municipal de Formiga após um percurso marcado por persistência eleitoral e trânsito partidário. Em 2020, concorreu pelo PTB, obtendo 498 votos — resultado insuficiente para a eleição, mas que o posicionou como suplente e manteve seu nome no radar da política local.


Eleito em 2024, Jaci inicia seu primeiro mandato carregando um capital político fortemente vinculado à representação territorial, especialmente de comunidades rurais e bairros periféricos, e a uma atuação pautada pela mediação direta de demandas locais.


Em 2026, sua eleição para a Presidência da Câmara Municipal projeta seu nome para além do papel de vereador demandista, inserindo-o no centro da engrenagem institucional do Legislativo. Esse movimento, no entanto, ocorre em meio a divergências partidárias públicas, que expuseram tensões internas, disputas de narrativa e questionamentos sobre alinhamento político — elementos que passam a compor o pano de fundo do seu mandato.


Perfil de Atuação na Câmara Municipal (2025)


Do ponto de vista quantitativo, o primeiro ano de mandato de Jaci é marcado por volume expressivo de proposições. Ao longo de 2025, foram apresentadas 245 matérias legislativas, distribuídas da seguinte forma:

  • 198 indicações

  • 33 moções

  • 5 projetos de lei ordinária

  • 4 requerimentos

  • 2 emendas

  • 1 ofício

  • 1 projeto de decreto legislativo

  • 1 projeto de lei complementar


O número elevado de proposições sugere, à primeira vista, intensa atividade parlamentar. No entanto, a análise do conteúdo das matérias, especialmente de suas ementas, revela com maior precisão o perfil do mandato.


Conteúdo das proposições e áreas de atuação


A leitura qualitativa das ementas das matérias apresentadas — com destaque para o conteúdo descritivo das proposições — evidencia uma atuação fortemente concentrada em demandas pontuais e localizadas, com predominância dos seguintes temas:

  • manutenção de estradas vicinais e acessos rurais;

  • limpeza urbana e conservação de vias públicas;

  • iluminação pública;

  • reformas e reparos em pontes, praças e espaços comunitários;

  • solicitações de serviços básicos junto ao Executivo.


Há, por outro lado, baixa incidência de matérias relacionadas à formulação de políticas públicas estruturantes, especialmente nas áreas de saúde, educação, cultura, esporte ou desenvolvimento social, bem como ausência de proposições voltadas à organização de sistemas, planos ou diretrizes municipais de médio e longo prazo.


Grau de inovação legislativa


Sob o aspecto da inovação normativa, o primeiro ano de mandato apresenta alcance limitado. Embora existam projetos de lei ordinária, um projeto de lei complementar e um projeto de decreto legislativo, não se identificam iniciativas que:

  • instituam políticas públicas novas;

  • criem programas municipais permanentes;

  • reorganizem estruturas administrativas;

  • estabeleçam diretrizes setoriais de longo prazo.


O padrão predominante é o da vereança tradicional, centrada na indicação de melhorias pontuais e na interlocução direta com o Executivo, com baixo grau de elaboração normativa.


Relação com o Executivo e postura política


Durante 2025, Jaci não se destacou por uma atuação fiscalizatória incisiva ou por embates públicos relevantes com o Executivo municipal. Sua prática legislativa indica uma postura de cooperação funcional, orientada mais à solicitação de serviços e melhorias do que ao tensionamento político ou à fiscalização sistemática das ações do governo.


Esse cenário tende a se complexificar a partir de sua ascensão à Presidência da Câmara, cargo que exige maior capacidade de articulação política, gestão de conflitos internos e posicionamento institucional mais claro — especialmente em um contexto de divergências partidárias já explicitadas publicamente.


Síntese do primeiro ano de mandato


O balanço do primeiro ano de mandato de Jaci Honório de Paula revela um vereador com elevada produtividade numérica, forte presença territorial e comunitária e atuação responsiva a demandas imediatas da população.


Por outro lado, também demonstra baixa densidade normativa, pouca inovação legislativa, atuação fiscalizatória discreta e ausência de protagonismo na formulação de políticas públicas estruturantes.


Trata-se, portanto, de um mandato que entrega presença e volume, mas que ainda carece de maior densidade política e programática, especialmente diante do novo papel institucional assumido pelo vereador à frente da Câmara Municipal.


Comunicação política e presença pública


No campo da comunicação, o primeiro ano de mandato de Jaci revela um estilo funcional, direto e pouco elaborado do ponto de vista estratégico. Sua presença pública é marcada prioritariamente por registros de ações locais, reuniões comunitárias e encaminhamento de demandas específicas, com baixo investimento em narrativas institucionais mais amplas ou em prestação de contas estruturada sobre o papel do Legislativo.


A comunicação cumpre, portanto, um papel instrumental, voltado à base eleitoral imediata, mas ainda distante de uma construção de imagem política associada à liderança institucional, à mediação de conflitos ou à defesa pública do funcionamento da Câmara enquanto poder autônomo.


Há pouca utilização da comunicação como ferramenta de explicitação de posicionamentos políticos, esclarecimento de decisões institucionais ou contextualização do papel do Legislativo frente ao Executivo.


Esse padrão reforça a leitura de um mandato inicialmente orientado mais pela lógica do atendimento direto, ou seja, reativo, do que pela disputa de agenda pública.


O que muda – e o que se espera – com a Presidência da Câmara


A eleição de Jaci à Presidência da Câmara Municipal em 2026 impõe uma mudança qualitativa inevitável em seu papel político. A função exige não apenas capacidade administrativa, mas também liderança institucional e comunicação pública consistente, uma vez que o presidente da Casa passa a ser o principal porta-voz do Legislativo.


A partir desse novo lugar, espera-se:

  • maior clareza na comunicação das decisões da Câmara;

  • posicionamento público diante de conflitos internos e externos;

  • defesa institucional do Legislativo frente ao Executivo;

  • mediação política entre bancadas, partidos e interesses divergentes;

  • e maior transparência na condução dos trabalhos legislativos.


Nesse contexto, a comunicação deixa de ser acessória e passa a ser elemento central da função, especialmente em momentos de tensão partidária e judicialização de conflitos, como os já observados no início de seu mandato como presidente.


Desafio político do novo ciclo


O principal desafio de Jaci, a partir de 2026, é a transição de um vereador demandista para um dirigente institucional. Isso implica abandonar a lógica exclusiva da atuação localizada e assumir uma postura mais estratégica, capaz de articular discursos, administrar crises e sustentar publicamente as decisões da Câmara.


Sua capacidade de adaptação a esse novo papel — especialmente no campo da comunicação política — será determinante para definir se sua presidência será lembrada como um período de mera gestão administrativa ou um momento de afirmação institucional do Legislativo municipal.

 

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