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Causa animal em Formiga: entre promessas de campanha e a realidade dos ataques de cães

  • Foto do escritor: Gabriela Laudares
    Gabriela Laudares
  • 7 de jan.
  • 4 min de leitura

Passado mais de um ano do início da atual gestão municipal, os recorrentes ataques de cães em Formiga voltaram a chamar a atenção da população e reacender o debate sobre a política pública voltada à causa animal. O tema ganhou ainda mais relevância diante das propostas apresentadas em campanha pelo prefeito Coronel Laércio e sua vice, Taciana Carvalho, que prometeram uma atuação ampla e estruturada nessa área.


O plano de governo previa ações como controle populacional de animais, castrações gratuitas, fiscalização de maus-tratos, educação para guarda responsável, parcerias com a Polícia de Meio Ambiente e estruturação de um espaço adequado para acolhimento de animais feridos ou vítimas de violência. No papel, o conjunto de propostas seguia diretrizes reconhecidas como eficazes em políticas públicas de bem-estar animal.


Na prática, porém, os resultados ainda são alvo de questionamentos.


Ataques continuam e moradores relatam insegurança


Durante todo o ano de 2025, diferentes veículos de comunicação noticiaram ataques de cães a pedestres e motociclistas, incluindo diversos casos em que cidadãos foram atacados nos arredores do Terminal Rodoviário. Moradores relataram a presença constante de cães soltos e episódios recorrentes de agressividade, apontando sensação de insegurança nas vias públicas.


As notícias indicam que, apesar de ações pontuais anunciadas pela Prefeitura, o problema não foi efetivamente solucionado.


Medidas adotadas: avanços pontuais, impacto limitado


Entre as ações divulgadas pelo Executivo municipal estão mutirões de castração, com vagas destinadas a animais errantes e tutores inscritos no CadÚnico, além de abordagens em locais específicos, como a Rodoviária, para averiguação da situação dos animais.


Embora essas iniciativas estejam alinhadas às propostas de campanha, especialistas apontam que a escala das ações é insuficiente frente ao tamanho do problema. Um único mutirão, com número limitado de vagas, dificilmente é capaz de alterar de forma significativa o cenário de abandono e reprodução descontrolada.


Outro ponto relevante é que grande parte das castrações realizadas no município continua sendo promovida por ONGs e protetores independentes, o que reforça a percepção de que o poder público ainda atua de forma complementar, e não protagonista, nessa política. E aqui cabe ressaltar que as ONGs não se mantêm com verbas vindas do Executivo e que não são escutadas de fato para solucionar o problema. São as bombeiras da situação, enquanto poderiam ser o Norte.


Promessas que ainda não se traduziram em políticas estruturadas


Propostas como campanhas permanentes de conscientização nas escolas, fiscalização do comércio de cães e gatos, feiras regulares de adoção e a estruturação de uma entidade municipal de acolhimento com equipe especializada não aparecem, até o momento, de forma clara, contínua e mensurável nas ações divulgadas pela administração.

Cabe ressaltar, ainda, que no Plano Plurianual 2026-2029, o tema é novamente tratado de forma genérica através apenas do Centro de Defesa à Vida Animal – Codevida, como se vê:


1.080 AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E EQUIPAMENTOS P/O CODEVIDA - CENTRO DE DEFESA A VIDA ANIMAL Projeto Garantir a estrutura necessária para o funcionamento do CODEVIDA – Centro de Defesa a Vida Animal, por meio da aquisição de veículos e equipamentos, visando aprimorar o atendimento, o resgate e os cuidados com os animais.

1.095 CONSTRUÇÃO E MELHORIAS DO CODEVIDA - CENTRO DE DEFESA A VIDA ANIMAL Projeto Ampliar e aprimorar a infraestrutura do CODEVIDA – Centro de Defesa a Vida Animal, garantindo melhores condições para o atendimento, acolhimento e bem-estar dos animais

1.112 CONSTRUÇÃO E MELHORIAS DO CODEVIDA - CENTRO DE DEFESA A VIDA ANIMAL ATRAVÉS DO FMMA - CODEMA Projeto Construir e realizar melhorias no CODEVIDA (Centro de Defesa à Vida Animal), utilizando recursos do Fundo Municipal do Meio Ambiente (FMMA) e em conformidade com as diretrizes do CODEMA, com o objetivo de promover a proteção e o bem-estar animal, contribuindo para o controle populacional responsável, a conservação da biodiversidade urbana e a redução dos impactos ambientais relacionados ao abandono e à superpopulação de animais no município


Embora o orçamento municipal preveja a construção do Codevida, a Lei Orçamentária Anual de 2026 (encaminhada através da Mensagem nº 181/2025) prevê apenas R$10.000,00 (dez mil reais) para a construção de um novo espaço, valor que não abarca sequer a elaboração de um projeto arquitetônico ou parte de qualquer obra desta magnitude.


LOA 2026
Lei Orçamentária Anual - LOA 2026

O orçamento reconhece formalmente o problema, mas não o enfrenta materialmente. Assim, o Codevida permanece limitado à lógica emergencial, incapaz de absorver a demanda crescente do município.


Falta de planejamento integrado e monitoramento


O principal problema não está na formulação das propostas, mas na ausência de um plano integrado, com metas, indicadores, cronograma e orçamento claramente definidos. Sem esse tipo de estrutura, ações acabam sendo pontuais, reativas e com baixo impacto social.


A persistência dos ataques sugere que o município ainda carece de:

  • ampliação contínua dos programas de castração;

  • mapeamento das áreas críticas;

  • ações educativas permanentes;

  • articulação efetiva com ONGs, forças de segurança e a comunidade;

  • transparência na divulgação de resultados.


Entre o discurso e a realidade


A política pública de causa animal em Formiga, até aqui, revela um descompasso entre o discurso de campanha e os efeitos percebidos pela população. As propostas apresentadas em 2024 seguem válidas, mas não foram executadas de forma minimamente eficiente. Retirar um comedouro de uma associação sem apresentar uma alternativa eficaz é tentar mascarar o problema tanto para as autoridades legais quanto para quem não concebe a ideia de política pública.


Os sucessivos ataques registrados ao longo de 2025 não podem ser tratados como eventos isolados. Eles revelam falhas no controle populacional, ausência de política preventiva em larga escala e incapacidade operacional do município de agir antes que o problema se agrave.


Enquanto isso, moradores seguem cobrando respostas mais efetivas, e o tema permanece como um dos desafios da atual gestão, exigindo mais do que anúncios: planejamento, investimento e continuidade.

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