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Promessas de Asfalto e Ilusões de Infraestrutura

  • Foto do escritor: Gabriela Laudares
    Gabriela Laudares
  • 4 de mar.
  • 3 min de leitura

Quando o Coronel Laércio e sua vice Taciana Carvalho apresentaram suas propostas para o setor de obras e infraestrutura, prometeram resolver os problemas crônicos de Formiga. Um ano depois, analisando o Plano Plurianual 2026-2029 e confrontando com as promessas de campanha, a conclusão é inevitável: o governo está entregando um receituário genérico que prioriza o visível sobre o urgente, e deixa as verdadeiras demandas estruturais para depois.


O Projeto "Formiga Asfaltada" é só marketing


A estrela do plano é clara: o "Projeto Formiga Asfaltada". Sim, aquele que promete asfaltar ruas como "as principais do centro". Ótimo para fotos antes das eleições. O problema? Formiga já vinha comprometendo recursos com pavimentação desde 2020. O que Laércio apresenta como inovação é, na verdade, continuidade de projetos da gestão anterior.


Pior ainda: enquanto promete asfaltar "corredores de ônibus", a cidade não tem um estudo técnico sério sobre mobilidade urbana. O próprio plano menciona a necessidade de "elaborar estudo detalhado e aprofundado, com participação popular, sobre o trânsito da cidade". A participação popular foi com Deus, haja vista que a Câmara travou as votações de projetos vindos do Executivo justamente porque o Governo se recusa a escutar os cidadãos sobre as mudanças no trânsito, em especial, na ponte do Engenho de Serra.


Tradução: vão gastar dinheiro em asfalto sem saber exatamente onde ele resolve os gargalos do trânsito. É como colocar um band-aid em uma fratura.


O Centro Administrativo: a miragem que não sai do papel


Entre as propostas mais polêmicas está a construção do "Centro Administrativo Municipal". O plano diz que vai "avaliar a possibilidade e viabilidade" – ou seja, nem começou. Enquanto isso, a Prefeitura continua espalhada por diversos imóveis alugados, desperdiçando recursos que poderiam financiar educação ou saúde.


Mas aqui está o problema real: o PPA orçamentário de 2026-2029 já prevê R$ 1 milhão+ para "Construção do Centro Administrativo Municipal". Se o governo realmente ainda está na fase de "avaliar viabilidade", de onde vem esse dinheiro? É planejamento de verdade ou apenas uma linha orçamentária que nunca vai sair do papel?


Drenagem e enchentes: o elefante na sala


Formiga sofre sistematicamente com alagamentos em épocas de chuva. A solução? "Elaborar estudos e implementar projetos de macrodrenagem".


Lindo. Exceto que a cidade vinha comprometendo-se com isso desde 2021. O Plano Plurianual revisado em dezembro de 2025 ainda trata como "Projeto" algo que deveria ser realidade executada. Enquanto se estudam bacias hidrográficas, comerciantes do Centro veem a água entrar em suas lojas toda vez que chove forte.


Revitalização dos Rios: poesia sem orçamento


As promessas de "revitalização, proteção das margens, leitos e fundações das pontes do Rio Formiga e Mata Cavalo" soam bem. O Coronel prometeu isso durante a campanha. Mas quantos projetos específicos há no PPA para isso?


A resposta está no próprio documento: além de manutenção rotineira, há vagas ações de "recuperação" (1.083 - "Recuperação das Bacias dos Rios do Município"). Sem cronograma. Sem orçamento específico detalhado. Sem responsáveis nomeados.


Aqui entra o agravante das condenações da Ponte dos Três Irmãos e da Ponte do Novo Santo Antônio após as fortes chuvas de janeiro/2026. Algo será feito (em algum momento futuro) sobre esta situação específica, mas e as demais pontes? Já tem equipes técnicas para viabilizarem os trabalhos? O dinheiro vai sair de qual orçamento?


O Parque de Exposições continua no limbo


"Estudar a viabilidade de mudança de local" do Parque de Exposições era promessa. Depois de um ano, o que mudou? De acordo com o PPA, nada. Não há ação específica para isso. Não há projeto executivo. É só mais uma linha no discurso.


O que realmente falta


Se houvesse honestidade intelectual, o plano de obras deveria incluir:

  1. Diagnóstico participativo real sobre mobilidade urbana (não apenas promessas de fazê-lo)

  2. Cronograma com prazos para drenagem urbana – algo que não é luxo, é sobrevivência

  3. Clareza orçamentária: quanto custa cada obra? De onde vem o dinheiro?

  4. Responsabilidades nomeadas: quem executa? Quem fiscaliza?

  5. Indicadores de qualidade: não é só asfaltar, é asfaltar bem


O padrão da gestão Laércio


O PPA 2026-2029 revela um padrão que já conhecemos: priorização do imediatamente visível sobre o estruturalmente necessário. Asfalto dura alguns anos e fica bonito em fotos. Drenagem urbana é invisível, técnica, não ganha votos, mas previne tragédias.


A cidade continua rehém de um planejamento que confunde "fazer barulho" com "fazer diferença". O Coronel Laércio herdou máquinas, caminhões, equipes. O que lhe falta é liderança e um projeto urbano com visão de futuro.


E enquanto Formiga espera pelo asfalto prometido, os rios continuam transbordando, as ruas continuam destroçadas e a administração municipal continua fragmentada em aluguel.



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