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Perfil: Thiago Pinheiro

  • Foto do escritor: Gabriela Laudares
    Gabriela Laudares
  • 1 de mar.
  • 5 min de leitura

Eleito em 2024 com 815 votos pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT).


Thiago Leão Pinheiro chega ao segundo ano de mandato como uma figura paradoxal: sua trajetória profissional inspira respeito, mas sua atuação na Câmara Municipal revela um vereador que ainda não traduziu em legislação estruturada o vasto currículo que o trouxe ao plenário.


Não é um estreante absoluto na arena política. Sua primeira eleição foi em 2004, candidatando-se a vereador pelo PTB, recebendo 751 votos, o que resultou na suplência. Em 2012, disputou pelo PPS, obteve 861 votos e ficou como suplente.


Doze anos depois, elegeu-se efetivamente com 815 votos pelo PDT — uma redução de 46 votos.  Não foi uma eleição avassaladora — foi uma eleição estratégica, dentro do coeficiente. Ou seja: sua vitória foi mais matemática do que massiva.


Este dado é relevante: apesar de sua notoriedade estadual (presidir AGEPOL), sua votação não cresceu significativamente em relação a uma tentativa realizada há uma década. Isto sugere que sua base eleitoral é geograficamente concentrada (provavelmente em segmentos de servidores públicos e círculos profissionais) e que ainda não consolidou penetração ampla junto ao eleitorado de Formiga.


A biografia de Thiago Pinheiro não é modesta. Policial Penal aprovado em concurso, bacharel em Direito, pós-graduado em Direito Público e aprovado na OAB — sua formação o posiciona como um intelectual do direito em Formiga, categoria rara entre os vereadores. Isso explica, em parte, sua eleição como Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) já no primeiro ano.


Soma-se a isto uma trajetória de gestão pública: foi Chefe de Gabinete e Secretário Municipal de Administração. Participou do Conselho Estadual da Juventude. Presidiu a Associação de Moradores. Atualmente preside a AGEPOL/MG, entidade que representa policiais penais em todo o Estado de Minas Gerais — cargo que o coloca em uma posição de liderança estadual significativa.


Para alguém com esse currículo, as expectativas naturais seriam: projetos de lei estruturantes na área de segurança pública, legislação sobre direitos de servidores, propostas de modernização administrativa, talvez até articulação em torno de políticas inovadoras para a cidade.


O que se vê, contudo, é bem diferente.


O que o Vereador fez (ou não fez)


Após um ano na Câmara, Thiago Pinheiro apresentou um saldo de atividades que pode ser sintetizado em dois padrões:


1. Atuação Legislativa Operacional e Fragmentada


A maior parte da produção do vereador consiste em:

  • 140 Indicações: pedidos de capina, limpeza, varrição, manutenção de ruas e praças em bairros específicos (Residencial dos Lagos, Nova Conquista, Santana I e II, Alto da Praia, etc.);

  • Retirada de veículos abandonados: ao menos 8 indicações sobre carros abandonados em ruas da cidade;

  • Solicitações de iluminação pública: lâmpadas queimadas em praças, pedidos de ampliar iluminação em bairros periféricos;

  • Pedidos de providências em equipamentos públicos: CREAS em abandono, cemitérios, praças públicas;

  • Moções elogiosas: aproximadamente 100 moções reconhecendo autoridades, diretores de instituições, entidades e pessoas.


Este é o coração da atuação do vereador — intermediação entre moradores e Prefeitura, traduzida em requerimentos administrativos.


2. Produção Legislativa Limitada


Na frente de projetos de lei próprios, o quadro é menos robusto. Segundo os registros legislativos, Thiago Pinheiro participou como autor ou coautor em:

  • 16 Projetos de Lei Ordinária, entre os quais destacam-se:

    • Instituição de programa "Rua Não é Lugar de Morar" (assistência a moradores de rua);

    • Reconhecimento de entidades como utilidade pública;

    • Regulamentação de rodeios;

    • Autorização de sistema de rastreamento em ônibus;

    • Habite-se simplificado;

    • Contribuição para custeio de iluminação pública.

  • 1 Projeto de Lei Complementar: o PLC 018/2025, que dispõe sobre parcelamento do solo e implantação de chacreamento aberto ou fechado no município — sua contribuição mais ambiciosa em termos de impacto normativo.


3. Pedidos de Informação e Requerimentos: uma atividade legislativa de vigilância pontual


Chama atenção o volume de Pedidos de Informação — mais de 40 requerimentos solicitando ao Executivo esclarecimentos sobre: gestão de emendas impositivas, matriz tarifária do SAAE, situação da carteira de identidade, funcionamento de órgãos específicos, estado de bens patrimoniais da Prefeitura.


Essa atividade revela uma faceta importante: Thiago Pinheiro exerce alguma fiscalização, mas de forma fragmentária e reativa — responde a demandas específicas ou informações que chegam ao seu gabinete, sem configurar um padrão sistemático de vigilância sobre temas críticos.


4. Presidência da CCJ: poder institucional sem clareza de direção


Como Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação, Thiago Pinheiro ocupa um cargo de força na Câmara. Nesta condição, ele emite pareceres sobre projetos de lei, responde solicitações de parecer jurídico, encaminha matérias para análise técnica.


Os registros mostram que:

  • Ele solicitou pareceres jurídicos sobre alguns projetos (exemplo: avaliação do PLC 010/2025 sobre estrutura administrativa);

  • Requisitou análises técnicas e de auditoria para projetos em tramitação;

  • Coordenou audiências públicas (exemplo: audiência sobre o Serviço de Inspeção Municipal).


Contudo, não há evidência de que a CCJ, sob sua presidência, tenha realizado um trabalho sistemático de melhoria da qualidade legislativa municipal, de revisão de lacunas normativas críticas ou de antecipação de problemas futuros.


O Paradoxo: Credenciais e Desempenho


Aqui reside o núcleo da questão: por que um vereador com formação em Direito, experiência em gestão pública, presidência de entidade estadual e acesso privilegiado ao conhecimento técnico-jurídico não apresentou, ao fim do primeiro ano, um conjunto coerente de proposições sobre seus temas de domínio?


Algumas hipóteses:

  • Falta de projeto político claro: Apesar das credenciais, o vereador não apresenta um projeto de cidade, um conjunto de reformas ou um programa legislativo que o distinga. Atua caso a caso, resposta a resposta.

  • Subutilização de seu capital político: Um vereador com suas qualificações poderia estar liderando uma agenda sobre modernização administrativa, direitos de servidores, transparência pública ou segurança. Não está.


Comunicação Política: Eficiente, Mas Superficial


Thiago Pinheiro mantém presença regular em plenário, participa de debates, responde demandas de forma proativa e tem facilidade de exposição pública. Seu gabinete funciona e responde aos cidadãos que procuram.


Entretanto, sua comunicação política carece de profundidade narrativa: não constrói uma história coerente de quem é, para onde quer levar Formiga ou qual é seu projeto político. Ele funciona, mas não inspira.


Prognóstico: O que Observar Daqui Para Frente


Thiago Pinheiro é a prova de que credentials não garantem impacto legislativo. Formado, experiente, tecnicamente qualificado e com acesso à informação — ele possui todos os insumos para ser um grande vereador.


O que lhe falta é claro: uma visão de futuro, um projeto político, uma disposição de transformar a Câmara em espaço de inovação institucional.


Enquanto isso, continua respondendo demandas caso a caso, moção a moção, indicação a indicação. Um vereador que funciona, mas que poderia ser muito mais.


A questão permanece aberta: ele ainda tem tempo para mudar de rota. Faltam três anos de mandato. A cidade espera por um Thiago Pinheiro legislador, não apenas gestor de demandas.


O que se vê, ao final de um ano, é um vereador competente gerenciando incompetência alheia, mas sem visão de futuro próprio.

 

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